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© Anaïs Tondeur, Fleurs de Feux
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© Anaïs Tondeur, Fleurs de Feux
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© Anaïs Tondeur, Fleurs de Feux
© Anaïs Tondeur, Fleurs de Feux

Fleurs de Feux



Galeria IMAGO LISBOA

Rua do Vale de Santo António 50C, 1170-381 Lisboa


16 . 10 . 2026 → 14 . 11 . 2026


4ª feira - sábado → 14h30 – 18h30

Artista

Anaïs Tondeur

Anaïs Tondeur é uma artista visual francesa, que vive e trabalha na floresta de Chamarande, a sul de Paris. Atenta às materialidades invisíveis do ar e do clima, das plantas e do solo, desenvolve processos fotográficos que utiliza como ferramentas antropológicas. Recolhe imagens nos interstícios entre os corpos e ambiente, em áreas marcadas pela atividade humana onde ela suscita novos compromissos, abrindo caminho a relações e materialidades fotográficas alternativas. Obteve diplomas do Central Saint Martins e do Royal College of Art, e já expos o seu trabalho em instituições de relevo na Europa, Estados Unidos e Ásia.

Entrelaçando fotografia e ecologia, a botânica e a filosofia, este projeto desenvolve-se em convivência com as plantas que crescem nos solos extremos do Antropoceno: a Terra dos Fogos e a zona vulcânica do Vesúvio, na região de Nápoles.

Cultivado ao longo de uma residência artística conduzida pela galeria Spot, em Nápoles, e guiado por cientistas e habitantes do território, Fiori di Fuoco tomou forma em uma correspondência entre a artista Anaïs Tondeur, o filósofo Michael Marder e comunidades de plantas ruderais que crescem em solos vulcânicos, marcados pelas consequências da incineração e do enterramento de resíduos tóxicos nas profundezas da Terra dos Fogos.

Segundo alguns botânicos, as plantas ruderais, quando evoluem em solos altamente poluídos, produzem em grandes quantidades uma molécula conhecida como fenol. Por meio do gesto fotográfico, Anaïs Tondeur coleta esse excesso de fenol através de um processo de fitografia. Sem extrair as plantas de seu ambiente, esse encontro por meio da imagem ocorre sem outra intervenção além do contato entre os elementos presentes. Para isso, ela recorre à luz do sol para a exposição e a uma reação química natural entre moléculas fenólicas e uma superfície fotossensível — um papel ou tecido recolhido em lixeiras e posteriormente sensibilizado à luz.

Retomando o ritual da poetisa e herborista Emily Dickinson, que inseria na sua correspondência uma planta seca (ou, às vezes, um poema nas suas composições florais), Anaïs Tondeur envia sucessivamente essas escritas não humanas ao filósofo do pensamento vegetal Michael Marder, que responde com uma carta dirigida a cada planta. Ao receber a resposta, ela retorna à planta para lhe ler as palavras do filósofo, enquanto simultaneamente recolhe uma nova impressão fitográfica da planta.

De folha em folha, esses modos de atenção por meio da palavra e da imagem são elaborados no sentido da etimologia medieval do termo “correspondência” — “harmonizar-se com, entrar em relação com”. Na lixeira, como um laboratório fotográfico a céu aberto, o filósofo e a fotógrafa abrem um espaço de encontro com essas plantas esquecidas do nosso inconsciente ecológico, tecendo assim vínculos estreitos com essas expressões de vitalidade ecológica que evoluem nas ruínas do capitalismo.



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