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© ESTER VONPLON, Wingbeat
© ESTER VONPLON, Wingbeat
© IEVA MASLINSKAITE, In a Pupa
© Ieva Maslinskaitė, In a Pupa
© PAULA ROUSH, Liquid Memories
© PAULA ROUSH, Liquid Memories
© SARAH SCHORR, Ephemeral Field Journal
© SARAH SCHORR, Ephemeral Field Journal

The Pencil of Nature



SNBA - Sociedade Nacional de Belas Artes

Rua Barata Salgueiro 36, 1250-044 Lisboa


Inauguração → 05 . 11 . 2026 → 18h30


05 . 11 . 2026 → 05 . 12 . 2026


2ª feria - 6ª feira → 12H00 – 19h00
sábado → 14h00 – 19h00
Encerra aos domingos e feriados

Curador

Elina Heikka

The Pencil of Nature

Tradicionalmente, os temas preferidos dos fotógrafos de natureza têm sido as aves e outros animais selvagens. Os animais exóticos, as espécies raras ou os fenómenos naturais invulgares têm constituído motivos particularmente procurados. Diz-se, frequentemente, que o fotógrafo de natureza é como um caçador que persegue a sua presa com a câmara. A perfeição técnica da imagem é, para este tipo de fotógrafo, um elemento fundamental, procurando geralmente criar a ilusão de uma natureza intocada.

Nos últimos anos, no âmbito da fotografia artística, tem-se refletido intensamente sobre as formas de representação da natureza. Será que a relação entre o fotógrafo e o seu objeto reproduz inevitavelmente a posição dominante do ser humano e a sua indiferença perante a natureza? Como poderemos representá-la de outra forma, numa relação mais igualitária? Como evidenciar que nós, seres humanos, fazemos parte da natureza e que, em última instância, dela dependemos inteiramente? Que somos apenas uma espécie entre muitas outras?

Ester Vonplon, Ieva Maslinskaitė, paula roush e Sarah Schorr são fotógrafas que, nos seus processos de trabalho, renunciam deliberadamente ao controlo absoluto, deixando espaço para o acaso. Nos seus projetos recorrem a processos físicos, químicos ou biológicos difíceis de controlar e pouco utilizados habitualmente pelos artistas que trabalham com fotografia. As suas imagens não correspondem necessariamente às fotografias diretas convencionais a que estamos habituados no quotidiano; a sua prática artística resulta, antes, de um trabalho desenvolvido em colaboração com as forças da natureza. A água, a luz e os fungos tornam-se parceiros no processo criativo.

Na fotografia contemporânea, a questão da relação entre a fotografia e a natureza tem adquirido novas configurações, conduzindo ao desejo de conceder às forças naturais um espaço próprio, tanto concreto como simbólico, no campo da criação fotográfica. De certa forma, esta reflexão representa um regresso aos primórdios da fotografia, quando a relação entre a imagem fotográfica e a natureza era objeto de intenso debate. Nessa época, surgia a ideia da fotografia como uma espécie de autorretrato da Mãe Natureza, produzido quase espontaneamente: a fotografia seria um “photogenic drawing or nature painted by herself” — um «desenho fotogénico ou a natureza pintada por si própria» —, como afirmou um dos pioneiros da fotografia, Henry Fox Talbot (1800–1877). Em consonância com esta conceção, Talbot intitulou The Pencil of Nature (1844–1846) a sua obra dedicada à apresentação das diferentes possibilidades e aplicações da fotografia.



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