Eviction
Imago Garage
Rua do Vale de Santo António 50A, 1170-381 Lisboa
16 . 10 . 2026 → 14 . 11 . 2026
4ª feira - sábado → 14h30 – 18h30
Artista
Ingmar Björn Nolting
Ingmar Björn Nolting (1995) vive e trabalha como fotógrafo freelance em Leipzig, Alemanha. É mestre em Fotografia pela Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Dortmund e membro fundador do coletivo DOCKS. Nolting é representado pela agência laif e colabora regularmente com o The New York Times. O seu trabalho foi exposto internacionalmente, incluindo no Sprengel Museum Hannover, Willy-Brandt-Haus Berlin, Superraum Dortmund, Chungmu Art Center (Seul) e GAF Gallery Hannover. Entre os seus fotolivros destacam-se About The Days Ahead (2023) e A Year Along The Banks (2023). Nolting recebeu diversas distinções, entre as quais a Getty Images Reportage Grant, a Stiftung Kunstfonds Grant, a Leica Society International Grant e o Yves Rocher Photography Award.
ingmarnolting.de | @ingmarbnolting
Em 2020, ativistas ambientais ocuparam os campos, casas e árvores de Lützerath, uma pequena aldeia na região mineira de carvão da Renânia, na Alemanha. A maioria dos habitantes originais já tinha partido há muito tempo: tinham sido indemnizados e realojados. No seu lugar, surgiu uma nova comunidade frágil: casas nas árvores, cozinhas improvisadas, refeições diárias preparadas com alimentos doados e uma rede de solidariedade.
Sob a aldeia encontravam-se milhões de toneladas de lenhite que a empresa energética RWE planeava extrair. Em 2020, o governo alemão tinha decidido eliminar gradualmente o carvão até 2038, o mais tardar. No entanto, a crise energética após a invasão da Ucrânia pela Rússia alterou as prioridades. Como parte de um compromisso político, cinco aldeias parcialmente realojadas seriam poupadas, mas Lützerath seria demolida. Em contrapartida, o abandono completo do carvão na Renânia do Norte-Vestefália foi antecipado para 2030.
Estudos climáticos independentes defendiam que o carvão não era necessário, enquanto relatórios governamentais e da indústria afirmavam o contrário. Para os ativistas, a luta ia além de uma única aldeia: tratava-se da meta de 1,5 graus do Acordo de Paris e do futuro que ela simboliza.
Quando visitei Lützerath pela primeira vez, no verão de 2022, o ambiente era circunspecto. Poucos queriam falar, com receio da repressão. Meses depois, na véspera do despejo, o ambiente tinha mudado. Fogos ardiam no asfalto, barricadas de pedras, troncos e vedações erguiam-se pelas ruas. O lugar assemelhava-se a um formigueiro, urgente e inquieto. A resistência assumia muitas formas. Alguns acorrentavam-se em chamados lock-ons, outros sentavam-se em plataformas de corda ou ocupavam telhados. Muitos procuravam atrasar a desocupação de forma pacífica, com música, performances e rituais partilhados. Para outros, Lützerath era um último bastião de resistência que não seria abandonado em silêncio.
Em janeiro de 2023, começou o despejo. Centenas de unidades especiais da polícia avançaram de todos os lados, desmontando barricadas e removendo pessoas. As cenas lembravam, por vezes, uma peça de teatro: sinalizadores de fumo nos telhados, cânticos a ecoar pelas ruas, silêncio súbito quando as barricadas cediam. No bloco de apartamentos Paula, os ativistas resistiram. Fora da aldeia, dezenas de milhares marcharam sob chuva e lama poucos dias depois, ouvindo Greta Thunberg e Luisa Neubauer. Por um breve momento, parecia que a multidão ia conseguir irromper por Lützerath. Mas as linhas policiais mantiveram-se. Em poucos dias, a aldeia foi evacuada. Lützerath, outrora um lugar de sonhos e utopias, e símbolo do movimento climático, tornara-se a fortaleza de uma empresa energética.
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