Untitled
Galeria de Santa Maria Maior
R. da Madalena 147, 1100-319 Lisboa
14 . 10 . 2026 → 07 . 11 . 2026
2ª feira - sábado → 15h00 – 20h00
Artista
Marta Djourina
As obras apresentadas enquadram-se no âmbito do interesse continuado de Marta Djourina em explorar a luz enquanto força co-criativa. Trabalhando sem câmara, a artista expõe diretamente papel fotográfico analógico a fenómenos naturais e físicos como a luz solar, a água, a bioluminescência e as descargas elétricas. Através destes processos, as imagens não surgem como representações, mas como vestígios da interação entre material, ambiente e tempo.
Tal como descrito na sua monografia, a prática de Djourina transforma o paradigma da fotografia, passando da representação à colaboração — a luz não é captada, mas participa ativamente na formação da imagem. Cada obra torna-se o registo de um acontecimento efémero: o brilho de organismos vivos, o movimento da água, a energia de um toque humano ou a aplicação controlada de fontes de luz, como lasers e díodos construídos para o efeito, e direcionados para o papel na escuridão do laboratório fotográfico.
A série dialoga com as ideias de transformação, indexicalidade e visibilidade de processos que, de outra forma, seriam impercetíveis. Em contraste com trabalhos anteriores moldados por fatores orgânicos ou ambientais, estas imagens emergem através de ações altamente controladas e performativas. Utilizando dispositivos laser construídos por si própria, Djourina desenvolve coreografias precisas de movimento, duração e intensidade, permitindo que a luz se inscreva diretamente na superfície fotossensível.
Cada obra é uma exposição analógica única, produzida sem negativos reproduzíveis nem intervenção digital. As imagens resultantes oscilam entre escalas micro e macro, evocando campos energéticos, tensões espaciais e mudanças de estado da matéria. Em vez de ilustrar fenómenos externos, registam a interação imediata entre gesto, aparelho e material.
Deste modo, as obras desafiam as noções convencionais de autoria, posicionando a artista não como única criadora, mas como agente que estabelece as condições para que um processo se desenvolva. A fotografia torna-se um espaço de ativação — onde luz, movimento e material convergem para produzir imagens que funcionam simultaneamente como registos físicos e como manifestações de um sistema controlado, mas dinâmico.
Newsletter
Patrocínio Principal
Parceiros institucionais
Parceiros
Apoio especial