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© CARINE KRECKÉ, Too Far, Too Close
© CARINE KRECKÉ, Too Far, Too Close
© MARCO GODINHO, Blind Memory (The Eyes of the Tiger)
© MARCO GODINHO, Blind Memory (The Eyes of the Tiger)
© MARTA DJOURINA, Untitled
© MARTA DJOURINA, Untitled
© PAULO SIMÃO, Erased
© PAULO SIMÃO, Erased
© RAISAN HAMEED, Zer-srtörung
© RAISAN HAMEED, Zer-srtörung
© SERGE ECKER, Murmurare
© SERGE ECKER, Murmurare

New Cartographies



Galeria de Santa Maria Maior

R. da Madalena 147, 1100-319 Lisboa


Inauguração → 14 . 10 . 2026 → 18h30


14 . 10 . 2026 → 07 . 11 . 2026


2ª feira - sábado → 15h00 – 20h00


 

Curador

Paul Di Felice

Paul di Felice vive e trabalha entre o Luxemburgo e Veneza. Tem um doutoramento em Arte e ensinou História da Arte na Universidade do Luxemburgo, onde a sua investigação se focou na relação entre a fotografia e a arte contemporânea.

Desde os anos 1970, di Felice dedica-se a uma vasta gama de atividades como artista, crítico de arte e curador de exposições internacionais de fotografia contemporânea. É cofundador e codiretor da Café Crème édition & médiation (desde 1984), cofundador do MAI photographie & art contemporain, e membro fundador da equipa editorial do lacritique.org. É consultor da Arendt Art Collection desde 2003 e membro do conselho da IACCCA (International Association of Corporate Collections of Contemporary Art) desde 2018. Foi vice-presidente do conselho do museu MUDAM no Luxemburgo.

Profundamente envolvido no desenvolvimento de redes culturais europeias, é cofundador e presidente da rede European Month of Photography e codiretor do EMOP Luxemburgo. É também cofundador e presidente das associações Art as Experience no Luxemburgo e Oculus Foto Festival em Veneza. Além disso, é cofundador e vice-presidente da associação Lët’z’Arles (LUPA – Luxembourg Photography Award) e membro da AICA Luxemburgo (International Association of Art Critics).

Repensar a Fotografia : Novas Cartografias

Numa era marcada por rápidas mudanças tecnológicas, cenários geopolíticos em transformação e pela complexa sobreposição de histórias, a fotografia contemporânea está a evoluir para além do enquadramento da câmara tradicional. Novas Cartografias reúne seis artistas cujas práticas experimentais desafiam e expandem a própria definição de fotografia, criando novas formas de explorar a luz, a memória, a identidade e a mediação da realidade.

Marta Djourina desconstrói as origens da fotografia ao trabalhar diretamente com a materialidade da luz. As suas imagens “pictóricas” emergem sem o uso da câmara, recorrendo a técnicas como emulsões sensíveis à luz, exposições estenopeicas sobre objetos e colaborações com organismos bioluminescentes. Ao fazê-lo, Djourina reinventa o ato de criação de imagem como um processo performativo e poético que destaca a natureza efémera da própria luz.

A prática de Serge Ecker foca-se na transformação urbana e nas novas tecnologias para explorar temas de produção, memória e improvisação. A sua série Murmurae, profundamente entrelaçada com IA e processos algorítmicos, investiga a relação entre a perceção humana e a inteligência das máquinas, que está em constante evolução. Através destas obras, Ecker examina as possibilidades e ambiguidades da tradução digital, da reconstrução e captação, levantando questões críticas sobre como a inteligência artificial está a redefinir a nossa compreensão da realidade e da representação.

Marco Godinho propõe uma exploração poética do deslocamento, da linguagem e da geografia através de uma linguagem artística nómada desenvolvida ao longo de duas décadas. As suas instalações, vídeos, escritos e fotografias são gestos de caminhada, mapeamento e narração. Nesta exposição, o uso inovador da fotografia lenticular acrescenta uma dimensão dinâmica ao seu trabalho, refletindo a natureza mutável da memória e da perceção. Com a sua capacidade de apresentar múltiplas imagens consoante o ângulo do observador, este formato faz eco dos temas de identidade fluida e deslocamento temporal, sugerindo novas formas de ver e experienciar imagens fotográficas para lá de enquadramentos estáticos.

A abordagem interdisciplinar de Raisan Hameed abrange fotografia, vídeo e instalação, centrando- se na memória, na identidade e na circulação de imagens em tempos de crise. Ao re-fotografar materiais de arquivo encontrados, Hameed constrói narrativas fragmentadas que questionam a fiabilidade das imagens e criticam o modo como a história é visualmente mediada e contestada.

A prática de Carine Krecké, de forte cariz crítico, interroga sistemas de poder, representação mediática e geopolítica. Através de fotografia, vídeo e de instalações baseadas em investigação, Krecké apropria-se e re-contextualiza dados e imagens existentes, desvendando o processo de construção e mediação da informação na sociedade contemporânea. O seu trabalho expõe as várias camadas de mecanismos através dos quais a realidade é enquadrada e controlada.

Paulo Simão explora a interseção entre histórias pessoais e coletivas através da fotografia, combinando métodos documentais e conceptuais. O seu trabalho crítico com arquivos indaga legados pós-coloniais e narrativas sociais, tecendo ligações complexas entre culturas e temporalidades.

Em conjunto, estes artistas constroem novas cartografias da prática fotográfica, mapeando a luz, a memória, o poder e a tecnologia de formas inovadoras que expandem as possibilidades do meio e refletem as texturas intrincadas da experiência contemporânea.



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