New Cartographies
Galeria de Santa Maria Maior
R. da Madalena 147, 1100-319 Lisboa
Inauguração → 14 . 10 . 2026 → 18h30
14 . 10 . 2026 → 07 . 11 . 2026
2ª feira - sábado → 15h00 – 20h00
Curador
Paul Di Felice
Paul di Felice vive e trabalha entre o Luxemburgo e Veneza. Tem um doutoramento em Arte e ensinou História da Arte na Universidade do Luxemburgo, onde a sua investigação se focou na relação entre a fotografia e a arte contemporânea.
Desde os anos 1970, di Felice dedica-se a uma vasta gama de atividades como artista, crítico de arte e curador de exposições internacionais de fotografia contemporânea. É cofundador e codiretor da Café Crème édition & médiation (desde 1984), cofundador do MAI photographie & art contemporain, e membro fundador da equipa editorial do lacritique.org. É consultor da Arendt Art Collection desde 2003 e membro do conselho da IACCCA (International Association of Corporate Collections of Contemporary Art) desde 2018. Foi vice-presidente do conselho do museu MUDAM no Luxemburgo.
Profundamente envolvido no desenvolvimento de redes culturais europeias, é cofundador e presidente da rede European Month of Photography e codiretor do EMOP Luxemburgo. É também cofundador e presidente das associações Art as Experience no Luxemburgo e Oculus Foto Festival em Veneza. Além disso, é cofundador e vice-presidente da associação Lët’z’Arles (LUPA – Luxembourg Photography Award) e membro da AICA Luxemburgo (International Association of Art Critics).
Repensar a Fotografia : Novas Cartografias
Numa era marcada por rápidas mudanças tecnológicas, cenários geopolíticos em transformação e
pela complexa sobreposição de histórias, a fotografia contemporânea está a evoluir para além do
enquadramento da câmara tradicional. Novas Cartografias reúne seis artistas cujas práticas experimentais
desafiam e expandem a própria definição de fotografia, criando novas formas de explorar
a luz, a memória, a identidade e a mediação da realidade.
Marta Djourina desconstrói as origens da fotografia ao trabalhar diretamente com a materialidade
da luz. As suas imagens “pictóricas” emergem sem o uso da câmara, recorrendo a técnicas como
emulsões sensíveis à luz, exposições estenopeicas sobre objetos e colaborações com organismos
bioluminescentes. Ao fazê-lo, Djourina reinventa o ato de criação de imagem como um processo
performativo e poético que destaca a natureza efémera da própria luz.
A prática de Serge Ecker foca-se na transformação urbana e nas novas tecnologias para explorar temas
de produção, memória e improvisação. A sua série Murmurae, profundamente entrelaçada com
IA e processos algorítmicos, investiga a relação entre a perceção humana e a inteligência das máquinas,
que está em constante evolução. Através destas obras, Ecker examina as possibilidades e
ambiguidades da tradução digital, da reconstrução e captação, levantando questões críticas sobre
como a inteligência artificial está a redefinir a nossa compreensão da realidade e da representação.
Marco Godinho propõe uma exploração poética do deslocamento, da linguagem e da geografia
através de uma linguagem artística nómada desenvolvida ao longo de duas décadas. As suas instalações,
vídeos, escritos e fotografias são gestos de caminhada, mapeamento e narração. Nesta
exposição, o uso inovador da fotografia lenticular acrescenta uma dimensão dinâmica ao seu trabalho,
refletindo a natureza mutável da memória e da perceção. Com a sua capacidade de apresentar
múltiplas imagens consoante o ângulo do observador, este formato faz eco dos temas de identidade
fluida e deslocamento temporal, sugerindo novas formas de ver e experienciar imagens fotográficas
para lá de enquadramentos estáticos.
A abordagem interdisciplinar de Raisan Hameed abrange fotografia, vídeo e instalação, centrando-
se na memória, na identidade e na circulação de imagens em tempos de crise. Ao re-fotografar
materiais de arquivo encontrados, Hameed constrói narrativas fragmentadas que questionam a fiabilidade
das imagens e criticam o modo como a história é visualmente mediada e contestada.
A prática de Carine Krecké, de forte cariz crítico, interroga sistemas de poder, representação mediática
e geopolítica. Através de fotografia, vídeo e de instalações baseadas em investigação, Krecké
apropria-se e re-contextualiza dados e imagens existentes, desvendando o processo de construção
e mediação da informação na sociedade contemporânea. O seu trabalho expõe as várias camadas
de mecanismos através dos quais a realidade é enquadrada e controlada.
Paulo Simão explora a interseção entre histórias pessoais e coletivas através da fotografia, combinando
métodos documentais e conceptuais. O seu trabalho crítico com arquivos indaga legados
pós-coloniais e narrativas sociais, tecendo ligações complexas entre culturas e temporalidades.
Em conjunto, estes artistas constroem novas cartografias da prática fotográfica, mapeando a luz, a
memória, o poder e a tecnologia de formas inovadoras que expandem as possibilidades do meio e
refletem as texturas intrincadas da experiência contemporânea.
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