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© MARCO GODINHO, Blind Memory (The Eyes of the Tiger)
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Blind Memory (The Eyes of the Tiger)



Galeria de Santa Maria Maior

R. da Madalena 147, 1100-319 Lisboa


14 . 10 . 2026 → 07 . 11 . 2026


2ª feira - sábado → 15h00 – 20h00

Artista

Marco Godinho

Uma narrativa tecida com imagens poéticas atravessa a prática conceptual de Marco Godinho, moldando obras que convidam o espectador a participar numa relação ativa com o tempo e a perceção. Partindo da sua origem luxemburgo-portuguesa, o artista explora de que forma a memória e a experiência são construídas através de perspetivas em constante mudança. Em várias peças, Godinho recorre à fotografia lenticular para criar imagens multidimensionais que se transformam de acordo com a posição do observador, produzindo um jogo dinâmico entre aparição e desaparição.

Blind Memory – The Eyes of the Tiger (Memória Cega – Os Olhos do Tigre) exemplifica esta abordagem. Baseada numa fotografia de 1969 de Jorge Luis Borges por Eduardo Comesaña, a obra apresenta um retrato duplo que só se revela plenamente através do movimento do observador. À medida que as imagens se sobrepõem, uma nova forma emerge na sua interseção: um “terceiro olho” sombrio. Este fenómeno visual ecoa a fascinação de Borges pelo tempo, simbolizada na sua obra pela figura do tigre.

Na mais recente obra desta série, o artista expande esta reflexão para lá da própria visão. Uma pessoa cega é convidada a tocar nos cadernos Written by Water (Escritos pela Água), criados originalmente para a Bienal de Veneza de 2019, onde Godinho representou o Luxemburgo. Através deste gesto, o tato — e, de forma mais ampla, todos os sentidos — torna-se central, permitindo que a perceção se desloque para além da visão como modo dominante de experiência. A obra propõe, assim, uma forma alternativa de ver, onde memória, tempo e significado se formam através de um envolvimento multissensorial com o mundo.

Noutra obra, a própria poesia torna-se uma estrutura em transformação, onde as palavras são permutáveis e se movem em função do deslocamento do corpo. O corpo torna-se uma medida e, através da sua posição no espaço, ativa ação e significado. Numa outra peça, é a paisagem que se transforma num enquadramento instável da perceção, onde as margens se tornam zonas ativas de experiência, revelando fronteiras frágeis através das quais apreendemos o mundo. Esta ideia prolonga-se numa série de fotografias realizadas em Sagres, no sul de Portugal, onde a paisagem se torna simultaneamente sujeito e limiar percetual, um espaço onde geografia e memória interagem.



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